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歓迎

2 de dezembro de 2009

11 - Explicações

- Sel?!...



Abri os olhos e ele estava ali.


_ Vai embora, eu não quero falar com você!
- Não faz assim Sel... Sei que esta magoada comigo, mas essa não é a hora pra fazer isso... Deixa eu te ajudar?
_ Não preciso da sua ajuda...
- Sel, você já perdeu muito sangue com esse ferimento... Está fraca. não se alimenta direito há dias...
... Seus amigos não vão conseguir tirar você daqui com esse tempo...
Quanto tempo ainda acha que vai aguentar desse jeito?...
_ Sei disso, mesmo assim não quero sua ajuda...


'D' entrou na Caverna...
Quando olhei pra ele, tudo à minha volta começou a rodar... Me senti enjoada...
Estava fraca e sabia que se o ferimento não parasse de sangrar, poderia se complicar meu caso... Mas não queria dar o braço a torcer...


- Sel...
_ Não quero...


Ele se aproximou de mim, sentou à meu lado e segurou minha mão... Conseguia sentir o calor que saia do corpo de 'D'...
Cai novamente em mim, não podia me deixar levar... Puxei minha mão e virei o rosto...

- Deixa disso Sel... Não faz assim...
_ Já disse que não preciso da sua ajuda...
- Por favor?


Fiquei calada...


- Sel, eu não estou pedindo pra esquecer tudo que eu disse a pouco e continuar como era antes, sei que não vai ser... Estou pedindo pra me deixar salvar sua vida... Só quero te ajudar, depois você pode continuar me odiando, não me importo, mas por agora me deixe ajudá-la?!...
... Sei que está com raiva por eu não ter falado nada, mas estou disposto a falar, o que quiser... Agora que já comecei, não vai ter problema algum continuar ?!
Já quebrei regras, uma a mais não vai fazer diferença.
Vou contar tudo que quiser... Inclusive sobre seus pais.
_ Meus pais? O que sabe sobre meus pais?
- Sim, sobre seus pais... Sei muito... Tudo que quiser saber...
_ Então fala... me conta... por favor?!
- Eu falo, mas primeiro me deixe cuidar de você.


Já não conseguia pensar direito depois do que 'D' falou... Acabei aceitando a ajuda dele sem perceber... Queria saber tudo sobre meus pais.
Ele se ajoelhou e pôs as mãos sobre minha perna.


- Você vai ficar um pouco enjoada ta?
_ Mais é impossível...
- Provavelmente seus amigos cheguem antes que eu consiga terminar... Não vai dar tempo de ter contar tudo que eu sei... Mas eu volto. Vou procurar você para que possamos conversar sobre isso.
Eu juro pelo que é mais importante pra mim que eu volto.
Tudo bem se for assim?



Estava tonta...Vendo tudo meio borrado... Não tive tempo de responder à ele.
Desmaie...



...



_ Infortúnio...
- Que foi Sel?
_ Ah, Thaís, não vi que ainda estava acordada...
- Aquele sonho de sonho?
_ Ah é... Foi sim...
Por que ainda está acordada Thaís?
- Estava estudando mais um pouco pro teste de amanhã...
_ Hum... Eu tentei estudar também, mas acabei pegando no sono...
- Sim, eu percebi...
Sel, quem é 'D'?
_ Hã?! Com assim?!
- Você tava' falando esse nome enquanto dormia...
_ Ah foi é?! Não sei... Foi um sonho...
- Hum... É melhor irmos dormir ?!
_ Ah sim, concordo...
Boa noite então!!
_ Infortúnio de Sonho!!



...



Pela manhã fiquei no quarto tentando estudar mais um pouco...


_ Pensei que não fosse vir mais!
- Eu disse que viria não foi?!
_ Sim, disse... Por que demorou tanto pra me procurar 'D'?
- Estava tomando coragem pra vir...
... Bom, acho que lhe devo algumas explicações ?!
_ Sim, deve sim... Mas antes que comece, eu quero falar umas' coisas com você...
- Claro... Pode dizer...
_ É melhor a gente falar em outro lugar... Quer dar uma volta?
- Claro...


Caminhamos até o rio e sentamos embaixo de uma árvore...
O dia estava bonito... O sol brilhava bastante no alto...


_ O que houve com sua perna 'D', por que está mancando?
- Ah, isso?! Não é nada... Vou sobreviver... - e sorriu...
... E a sua perna como está Sel?
_ Dói um pouco ainda... Mas se não fosse por você, estaria bem pior...
Obrigada por ter cuidado de mim aquele dia...
- Que isso, não foi nada...


'D' ficou sem graça e mudou de assunto...


- Mas então Sel, o que quer falar?
_ Ah sim...
Bom 'D', é que, aquele dia eu tava' muito nervosa... Quando você me contou sobre você, sobre quem você era realmente, eu não sabia o que pensar, o que dizer...
Eu fiquei com raiva, com ódio de você... de mim...
Eu não conseguia aceitar o fato de você ter escondido isso de mim... E não queria acreditar em você.
Perdi meu chão naquele momento...
Aqui é muito solitário sabe... Viver aqui é muito solitário... Sei que tenho os meninos, mas não somos uma família de verdade... Nos amamos muito, isso é fato, mas um pai e uma mãe faz muita falta... é muito importante...
Quando te conheci minha vida mudou. Você cuidava de mim, me protegia, e na minha cabeça era como se eu tivesse ganhado um pai... Vi você como um pai...
Naquela hora eu só conseguia ver você como um mentiroso que me enganou seja lá por qual motivo... Não consegui aceitar o fato de um pai mentir pra sua filha...
Depois, lá na Caverna você disse que sabia sobre meus pais... Fiquei muito mais confusa que antes... Eu nunca soube nada sobre eles, por mais que tenha procurado nunca encontrei alguém que soubesse sobre eles pra me falar como eles eram... Se eu me parecia com minha mãe ou com meu pai... Minha vida toda procurei por alguém... Encontrei você!
Queria tanto que tivesse sido de outra maneira esse nosso encontro... Queria ter te encontrado antes...
Depois de tudo que eu ouvi de você aquele dia, eu estava certa que dessa vez saberia a verdade... Saberia tudo...
Quando voltei pro Orfanato com os outros no outro dia, tive um tempo sozinha pra pensar... Tive vários dias, muito tempo pra refletir sobre o ocorrido... Pra me acalmar e colocar a cabeça no lugar... Pra pensar nas coisas que falamos, eu e você... nas coisas que eu fiz e deixei de fazer...
Eu estava tão perto da verdade, mas se você tivesse me contado naquela hora, hoje eu estaria bem pior...
Eu pensei e repensei sobre aquilo... Cheguei a uma conclusão e decisão...
- Conclusão e decisão... Ok... E quais são?
_ Bom, minha conclusão é que eu não deveria saber...
- Ok, certo... E a decisão?
_ Minha decisão...
... Minha decisão é que eu não quero saber!
- Como assim Sel? Por que isso agora?
_ Não sei direito 'D', mas quando voltei e fui me acalmando eu percebi que o fato de você ter escondido isso de mim tanto tempo não foi porque você é uma má pessoa, pelo contrário...
Você não me contou antes, pois eu não estava pronta pra saber ?! Você sempre diz que tem hora pra tudo...
Naquela hora eu queria muito saber... Eu não pensava direito, estava muito nervosa... Hoje eu to calma, percebi que quando for pra eu saber eu vou saber... Hoje eu entendo o que você quis dizer...
Não estou pronta pra isso 'D'... Tenho medo eu acho... Não sei direito... Por mais difícil que isso seja pra mim, sabe, eu sempre esperei por uma chance assim e agora ela esta na minha frente, mas não consigo alcançá-la ainda...
- Caramba Sel... Eu nem sei o que dizer...
Você queria tanto isso... Me preparei pra isso... Nossa... To surpreso com a sua atitude...
Surpreso e orgulhoso em ver como você cresceu...
_ Ah não, não... Não 'D', por favor... Não vem com isso...
- Não é isso Sel, é que eu te acompanho há tanto tempo que nem percebi que o tempo passou e você cresceu... Que você não é mais uma menininha... Agora você anda sozinha... toma sua próprias decisões... Me sinto até um pouco perdido... É como se tivesse parado no tempo...


'D' assim como eu, enxugou algumas lágrimas que rolaram pelo rosto...


- Fico surpreso mesmo, e muito feliz por você ter entendido meu motivo... Nem sei mais o que dizer...
_ Há quanto tempo esta comigo?
- Muito Sel... Desde que nasceu...


Dessa vez eu enxuguei as lágrimas de 'D'...


- Tem certeza mesmo que não há nada que você queria saber?
_ Tenho...
... Quer dizer, tem uma coisa... Uma coisa que quero saber...
- Que coisa?
_ O Adan... O Adan naquele dia me perguntou quem estava comigo na Caverna...
Você tinha dito que só eu poderia vê-lo, mas naquele dia, quando ele voltou a Caverna, ele te viu... Por que isso aconteceu?
- Me viu?!
... Não sei dizer... Quem é esse Adan?
_ Adan é o garoto que chegou há pouco tempo...
- O que a casa foi queimada ne?!
_ Isso... Esse mesmo...
- Olha Sel, sinceramente não sei dizer o que aconteceu, pois ele não deveria ter me visto...
... Não sei por que ele me viu...
... A não ser que...
_ A não ser que?


'D' ficou calado olhando pro nada...
Me pus à sua frente estalando os dedos...


_ A não ser que o que 'D'?
- Hã?!...
Ah, eu preciso ir Sel... Tenho que fazer... pesquisar algumas coisas...
A gente se vê depois...
_ Ta, ok...
- Então já vou... Tenha um ótimo teste... Tchau...


E saiu correndo... Nem tive tempo de me despedir..
Dessa vez não me opus à ele... Deixei que o tempo me respondesse o que eu queria saber...
Pensei no que ele disse... Nunca imaginei que ele pudesse estar ali, na minha sombra a tanto tempo, sem que eu percebesse...
... Levantei e admirei mais uma vez o sol... Voltei correndo, pois tinha certeza que estava atrasada pro' almoço...
Antes de entrar dei uma última olhada pra trás pra ver se ele não estava por ali...
Sei que ele vai voltar, mas eu queria ter dado ao menos um abraço nele...





25 de agosto de 2009

10 - Verdades e Surpresas...


Pela manhã, logo após o café, fui conversar com Élis, não estava me sentindo nada bem...

_ Com licença Élis, posso entrar?
- Claro minha filha... Tudo bem Sel, você está pálida?
_ Na verdade não, me sinto um pouco estranha há alguns dias...
- Sente-se aqui... ...
Está se alimentando bem?
_ Na verdade não...
Estou sem apetite de uns 2 dias pra cá...
- Isso não é desculpa pra não comer... Desse jeito vai adoecer...


...

Conversei um pouco com ela depois que ela me medicou...
Fui até o pátio encontrar com os outros.


_ Oi gente...
- Bom dia Sel...
_ Bom dia Gu...
- Ainda ta' se sentindo mal?...
Você tá pálida...
_ Ah, estou melhor, a Irmã Élis ja me medicou...
- Menos mal...


Ficamos sentados ali aproveitando que a chuva tinha dado uma trégua e o dia estava agradável...

_ E o garoto novo? Já se enturmou com a alguém? - perguntei.
- Acho que não... Ele estava sozinho lá no refeitório... Sempre que alguém passava perto ele se encolhia todo, parecia até um bicho acuado... - disse Ebert.
_ Não é pra menos também ?! Acordar num lugar assim sem saber o que aconteceu ou quem é deve ser terrível...
- Vou ter que concordar com você Sel. Se pra gente já é difícil, imagina pra ele que não se lembra de nada... - completou Thaís...



Mudamos de assunto... Ficamos ali até a hora do almoço...
Depois do almoço fomos pra aula... Ficamos a tarde toda com a irmã Dulce aprendendo a cultivar...
Ela aproveitou o bom tempo e nos levou para a plantação para nos ensinar melhor...
Ao final de sua aula, sai para o pátio para esperar os outros...
Vi alguém de relance passando pelo portão e fui atrás... Para minha surpresa era um rosto familiar.



_ Oi 'D'... O que faz aqui?
- Oi Sel... Estava te esperando...
_ Me esperando? Mas pra que?
- Agora não é uma boa hora pra falar...
Te espero amanhã depois da aula no velho Carvalho...
_ Aconteceu alguma coisa?
- Tenho que ir...



Me deu um beijo no rosto e saiu apressado... Fiquei parada sem reação. Ele estava tão estranho, nervoso... Fiquei tentando imaginar o que teria acontecido e porque ele queria falar comigo... - O que será que ele quer comigo? Porque ele estava tão nervoso?...
Fiquei um bom tempo pensando naquilo... Quase não dormi à noite...


...


_ Bom dia Gu!
- Bom dia Sel! Está se sentindo melhor hoje?
_ Estou sim, obrigada... E os outros onde estão?
- Bom, o Ebert ainda não tinha levantado e a Thaís estava conversando com a Jeniffer quando eu 'tava vindo pra cá...
_ Hum...



Nós sentamos para tomar café, e não demorou muito até os outros se juntarem a nós... Enquanto comia uma maça, vi que do outro lado do refeitório estava o garoto novo sentado sozinho em uma mesa...
Me levantei e fui até ele... Os outros foram atrás de mim...
Ficamos parados na frente dele por alguns minutos sem que ele percebesse que estávamos ali... Debrucei-me sobre a mesa para olhar em seu rosto...
Quando se deu conta, levou um tremendo susto que deu um pulo na cadeira...


_ Oi garoto, você tá bem? Porque tá tão pálido?



Ficou me olhando com cara de assustado...


- Si... sim estou... O que você... vocês... - falou entre respiração profunda.



E fiquei ali esperando ele terminar a resposta, mas ele nada disse...


_Qual seu nome garoto?



Élis entrou no refeitório e o chamou...
Ele levantou meio sem jeito e derrubando algumas coisas e foi a seu encontro... No meio do caminho ele olhou pra trás e disse:



- Adam!


Voltamos pra mesa pra terminar nosso café e Gustavo logo atacou:

- Coitado Sel... Você deu o maior susto no garoto... - e sorriu.
_ Não foi minha culpa... Ele que estava distraído e não me viu parada ali na frente dele a um tempão... - e sorri de volta...
_ Bom, pelo menos agora sabemos que o nome dele é Adam... - disse Gu.
- Esse Adam é meio sem jeito ne?! - cutucou Thaís...
- Não acho não... Qualquer um se assustaria ao se deparar com a Sel te encarando... - completou Ebert...
_ Engraçadinhos vocês... - respondi sorrindo..
.




E demos boas gargalhadas... Terminamos o café e fomos pra sala...
Irmã Telvina daria uma avaliação de história naquela manhã...
Estava nervosa pensando em 'D' e não consegui me concentrar muito na avaliação dela...

No fim da aula sai correndo da sala para o pátio, e dali para o velho Carvalho no meio da mata...
Fiquei sentada esperando 'D'... A chuva tinha voltado a cair e eu estava com frio e muito molhada já... E 'D' nada de aparecer... Depois de muitas horas esperando resolvi voltar pro' Orfanato.
Quando me levantei dei de cara com 'D'. Ele estava estranho... Tinha expressão de cansaço e estava machucado... Quase desabou em cima de mim... O apoiei em meu ombro e o ajudei a se sentar ali no chão mesmo...
Tirei um lenço do bolso do casaco e dei para ele limpar o rosto...



_ O que aconteceu com você 'D'? Onde estava? Quem te machucou?...


Ele permaneceu mudo à minha frente...

_ 'D' fala comigo... Diz alguma coisa...
- Eu bem Sel... Desculpa a demora...
_ O que aconteceu com você?
- Não foi nada, só um arranhão... Tá' tudo bem, não se preocupe.
_ Me preocupo sim... Olha só seu estado... E isso não é só um arranhão não senhor... Agora diz o que aconteceu com você...


'D' mudou de assunto...

- Sel preciso que você tome muito cuidado nos próximos dias entendeu?!
_ Tomar cuidado? Por quê? O que ta acontecendo?
- Não posso te proteger como gostaria... Tenho que...

...

_ Como assim 'D'? O que ta acontecendo? Porque você ta falando isso?
- Não dá pra explicar agora... Só posso dizer que...

...

_ Porque 'D'? Porque não disse isso antes?
- Você não acreditaria se eu dissesse. Primeiro tinha que...

...

_ Você mentiu pra mim... E-U CONFIEI em você... E você faz isso...
- Não tive escolha Sel, tive que fazer, não podia dizer que...

...
Eu não deveria ter dito nada agora também... Eu...

...

_Eu confiei em você...
- E eu em você Sel... Estou confiando minha existência a você nesse exato momento... O que você queria que eu fizesse heim?!

...
Será que você não entende que não tinha outro modo... Alguém tinha de fazer...

_ Mas por quê?
- Porque você...

...

_ Caramba 'D', como quer que eu me sinta depois disso?...
- Só quero que você entenda o por que...
_ Eu entendo... Mais aceitar não é tão fácil quanto parece. Você vem e joga tudo em cima de mim, assim, de repente, e quer que eu sustente? Me diz como eu vou sustentar isso? Não dá 'D'... Não dá...

...

- Sel, por favor, entenda que...
Eu não queria Sel. Não queria. Tive que... Fui obrigado... Não é fácil pra mim também, mesmo eu sendo...

...

Depois de um tempo calados e sem nos olharmos diretamente, 'D' quebrou o silêncio...


- Não vai dizer nada?
_ Não tenho o que dizer...
...
Quer dizer, tenho sim... Me mostra...
- Mostrar o que?
_ ...! Eu quero ver!
- Isso não dá Sel... Não posso fazer isso!
_ Mas eu tenho direito. Você acabou de quebrar "algumas" regras não é?! Uma a mais não vai fazer diferença...

...


...

Não conseguia acreditar o que ouvi de 'D'... Me sentia traída, usada...
_Como ele pôde fazer isso comigo?
Voltei correndo pro' Orfanato... Não sabia se eram as lágrimas ou a chuva que molhava meu rosto... Peguei um pano que estava em cima da cama no quarto, coloquei algumas coisas no pano, fiz um embrulho e voltei pra pátio...
Não conseguia pensar em nada mais a não ser em 'D'... - Porque ele fez isso comigo? Eu confiei nele...

Andei sem rumo pela mata... Cheguei às margens do rio e tirei o velho barquinho cheio de água do meio do mato... Comecei a remar sem perceber pra onde estava indo...

A chuva tinha recomeçado com mais força quando cheguei naquela pedra que parecia tão grande quanto da primeira vez que a vi...
Sem pensar comecei a subir... Estava muito escorregadia, mas só me dei conta disso quando já estava na metade...
Sentia meus pés deslizando a cada passo que dava. De repente, não sei como aconteceu... Um raio e...
Dei um grito e quando me dei conta aquele galho estava atravessado em minha perna e eu estava presa no meio das rochas... Por mais que eu tentasse não conseguia sair dali...
Comecei a me preocupar...



_Droga... Não falei com ninguém que estava saindo... Droga... Que eu vou fazer agora?!...


Em meio a uma tempestade que caia e a escuridão que se formou de repente ouvi um barulho que julguei ser alguém se aproximando...


_ Me ajude... - Foi a única coisa que consegui dizer em meio a dor que estava sentindo...


Pra minha surpresa era realmente alguém que logo me respondeu...


- Continue falando... Está muito escuro...



Não sabia de quem era a voz, mas sabia que era minha salvação...



_ Estou aqui...



Ele então se aproximou de mim... Era o garoto novo... Por um instante tentei imaginar como ele chegara ali...



- O que houve com você?

_ Não sei direito, eu escorreguei e cai aqui... Minha perna ta presa e tem um galho que entrou nela... Caramba como dói... Me tira daqui por favor...

- Calma... Aguenta firme...



Ele rasgou um pedaço da camisa e amarrou em cima do buraco que o galho tinha feito em minha perna...



- Aguente firme... Vai doer...



Soltei um grito de dor... Depois que minha perna se soltou ele consegui me levantar dali...



_ Meus livros... Pegue-os, por favor... Não posso perdê-los...

- Tudo bem, eles estão aqui...



A chuva só aumentava e começou a ficar mais escorregadio... ele começou a olhar pra baixo quando eu disse:



_ Me ajuda a subir... Só mais um pouco... Tem uma caverna la em cima...



Me apoiei nele e subimos... Ele me ajudou a deitar no chão assim que entramos na caverna...



- Vou buscar ajuda, não vou conseguir tirar você daqui sozinho nessa chuva...

_ Não, espera... Não me deixa sozinha aqui...

- Pegue, fique com esse medalhão, era de minha mãe... - e tirou do pescoço e me deu...



Fiquei sem reação com aquela cena... Só conseguia apertá-lo forte como se fosse a última coisa do mundo...

Ele pegou algumas cobertas e me cobriu...



_ Você também está ferido...

- Não é nada, são só arranhões...



Acho que ele nem tinha se dado conta que tinha alguns cortes nos braços e pernas...

Virou as costas e saiu da caverna...



_ Vai pela floresta... Não use os barcos...



Foi tudo que consegui dizer antes que ele desaparecesse pela entrada...




...




Estava cada vez me sentindo mais tonta... Meu corpo estava mais gelado que o normal... Meus olhos teimavam em fechar sozinhos...



- Sel!



Abri os olhos e ele estava ali...



_ Vai embora, não quero falar com você...

- Não faz assim Sel... Deixa eu te ajudar... Você já perdeu muito sangue com esse ferimento...



Tudo a minha volta começou a rodar... Me senti enjoada... Mas não queria dar o 'braço a torcer'...



_ Não preciso da sua ajuda...



Ele se aproximou de mim, sentou do meu lado e segurou minha mão...



- Deixa disso Sel... Não faz assim...

_ Já disse que não preciso da sua ajuda...

- Por favor?



Já não conseguia pensar direito... Acabei aceitando a ajuda dele...

Ele então se ajoelhou e pôs as mãos sobre minha perna...

Desmaiei...



...



Acordei ainda meio tonta com os outros se aproximando de mim... Mas ele já não estava ali...



- Sel você está bem? - perguntou Gu

_ Ah, sim... Estou...

- Nós estávamos preocupados com você... Depois que terminou a aula você sumiu e ninguém mais te viu, então resolvemos sair atrás de você... E encontramos o Adan no meio do caminho e dai ele disse o que aconteceu...


Olhei para o lado e Adam estava me encarando com cara de espanto...



- Quem estava aqui com você? - perguntou ele.



Levei um choque quando ele me perguntou isso... - Mas como? Como ele sabia que tinha mais alguém aqui...

Todos olharam pra ele sem entender nada...

Acabei respondendo sem me dar conta...



_ "D"!!!



Vi a expressão de desentendimento em seu rosto quando respondi...

Ele saiu e se sentou do lado de fora enquanto os outros perguntavam sem parar como tudo tinha acontecido... Ou se eu estava me sentindo bem...

Só nesse momento me dei conta de que nos últimos dias tinha me comportado como uma idiota me afastando deles...

Eles eram meus amigos, e o mais próximo de uma família que eu tinha...

Nunca deveria ter me afastado... Se não tivesse agido da maneira que agi talvez tivesse evitado tudo aquilo...



24 de junho de 2009

9 - Chuva e conversa... Reencontro!



Chovia muito naquela manhã. Fiquei no quarto por um bom tempo observando a água escorrer pelo vidro do mesmo modo que as lágrimas deslizavam em meu rosto. Me sentia cada vez mais só. Todos a minha volta pareciam estar bem, felizes, menos eu. Não conseguia compreender minha existência... As plantas... animais... Todos tinham um papel fundamenta... Mas e eu? Qual é meu papel?

- Ainda é cedo pra compreender isso, não se preocupe tudo ficara bem!


Olhei pra trás pra ver quem falava comigo. Estava só no quarto.

_ Acho que estou ouvindo coisa!!


Fiquei apreensiva por alguns minutos...

_ Tenho certeza que ouvi alguém falar comigo... Mas quem era? De quem é a voz forte que ecoou em minha cabeça?


Resolvi tomar um pouco de ar fresco. Fui até o quintal e fiquei sentada olhando a chuva cair. O vento soprava frio e me envolvia... Tudo me envolvia...
Resolvi visitar uma velha amiga. Levantei-me e fui caminhando - na chuva - até aquele velho Carvalho. Estava cada vez maior e mais belo. Abracei o mais forte que pude aquela árvore, nem percebi que chegara alguém e ficara parado atrás de mim.
Só percebi quanto tocou em meu ombro. Levei um tremendo susto. Meu coração acelerou a ponto de quase saltar pra fora do peito. Estava tão entretida... Tão fora de mim...


_ Você me assustou!
- Desculpe, não foi minha intenção...
_ O que faz aqui 'D'? Digo como chegou aqui?
- Estou sempre aqui Sel... Sempre com você...



E se aproximou de mim... Me deu um forte e confortante abraço... Estava tão quentinho e seco... - Como será que veio nessa chuva e não se molhou? Será que estava aqui por perto? - pensei comigo...
Retribui o abraço...Foi a melhor sensação que já tive. Me senti protegida de alguma forma... Não quis soltá-lo pra que aquela sensação não acabasse.
..
Quando cai em mim, o soltei. Ele me olhou e sorriu. Fiquei constrangida com a situação...


_ Me... Me desculpa... Eu...
- Não se preocupe... Tá' tudo bem... Eu entendo!



A chuva estava quase parando... Ele se sentou por ali mesmo... Sentei-me a seu lado...


- O que te preocupa Sel?
_ Eu?... Ah, bom...


Suspirei fundo...

- Confie em mim...
Me fala o que está te incomodando...
_ Sinceramente 'D', nem eu mesmo sei o que me incomoda. Não sei o que está acontecendo comigo... Me sinto só... Me sinto mal comigo mesma...
- Na sua idade é natural se sentir assim... É só uma fase pela qual todos nós passamos...
_ Não... Não tem nada a ver com idade... Não é isso... Eu acho...
Não sei o que é, mas isso não é...



Não sabia o que responder a ele.

- Você gosta daqui não é?
_ Ah, sim... Pelo menos aqui me sinto um pouco em paz...
- Quantos anos terá essa árvore? - e sorriu pra mim...
_ Não sei, sempre quis saber... - sorri de volta.
... Hei 'D', você tem família?
- Tenho sim... Você...
_ Hã? Como assim?
- Amigos são família Sel... Você e eu somos amigos, portanto, é parte da minha família...



Abaixei a cabeça e enquanto riscava o chão com um galho, tentava refletir aquelas palavras...

- No que está pensando?

_ Hã? Ah, é, no que você disse... Sobre eu ser sua família... Digo amiga...


E abaixei novamente a cabeça...

_ Sabe 'D', tem uma coisa que eu gostaria de saber...
- O que é?
_Porque disse aquilo? Porque disse que não ia acontecer nada com a gente? Como sabia que Zavebe...


Ele me interrompeu.


-Já disse pra confiar em mim. Não se preocupe com isso... Eu só sabia... Intuição...
_ Hum...


A resposta dele não me fez parar de pensar naquilo...
- 'D' é tão misterioso... Será que ele realmente é um deles e por isso Zavebe não fez nada? - Continuei pensando comigo...
'D' segurou minha mão e me puxou...


- Quer dar uma volta? Caminhar um pouco?
_ Ah, é, claro...




Caminhamos pela mata até o rio... Sentamos próximo às margens... Já não chovia mais... Ficamos conversando ali... Não me dava conta do tempo...
Rimos, brincamos... Falamos sobre várias coisas... Estava me sentindo bem com aquilo... Perdi qualquer noção de hora...


...

- É melhor voltarmos... Já vai escurecer e você tem de trocar essa roupa molhada, antes que pegue um resfriado.
_ Escurecer?!




Levei um susto, já estava tarde...
'D' me acompanhou de volta ao Orfanato. Já estava entrando quando me dei conta que ele não estava a meu lado, estava parado perto do banquinho no corredor, do lado de fora.

Voltei pra perto dele:



_ Você não vem 'D'?
- Agora não... Tenho ainda algumas coisas pra fazer...



Ele me abraçou e se despediu:

- Quando precisar conversar com alguém é só me chamar ok?
_ Chamar? Como?
- É só chamar... - deu um leve sorriso...
_ Misterioso como sempre... Mas tudo bem... Eu descubro sozinha... - retribui o sorriso.
- Tenho que ir... Obrigada pela companhia hoje...



Sorriu e foi caminhando... Entrei e fui tomar um banho... Colocar roupas secas e quentinhas...
... - Amigos são família!... É, são sim...






5 de maio de 2009

8 - Relembrando Histórias...



Durante toda a tarde fiquei no quarto, estava me sentindo cada vez mais indisposta... Pedi a Thaís que me deixasse só no quarto... Ela entendeu.
Olhei pela janela e reparei que o tempo começava a mudar... Uma chuva se anunciava. Fiquei um bom tempo sentada na janela observando o céu mudar suas cores... O que antes era azul agora tinha se tornado negro... Fiquei perdida em meio aos pensamentos...


_ Como 'D' conseguiu entrar aqui? Será que ele é um dos Sacerdotes do Santuário e por isso sabia o que tinha acontecido aos meninos?...



Já à noite, me encontrei com os outros na sala de artesanato. Estavam mais calmos agora... Ficamos conversando um bom tempo ali... Falamos sobre tudo... o tempo, as crianças e claro sobre o ocorrido...
Todos acharam estranho ninguém ter falado nada. Na minha cabeça tinha cada vez mais certeza que 'D' era um deles...

Os meninos foram jantar e eu fui pro quarto, estava sem fome.
Após o jantar, sentados no pátio, percebemos uma certa correria em volta da enfermaria... Muito entra e sai das Freiras... Até a Madre estava no meio... Fomos até lá ver o que estava acontecendo...
Não conseguimos muita coisa...
Ficamos observando de longe todo o alvoroço... Quando acalmou um pouco, voltamos pra ver se conseguíamos algo...
Era um garoto. Devia ser da nossa idade... Ele estava muito machucado, alguns cortes pelos braços e pernas... Tinha bastante sangue na cabeça, talvez um corte bem profundo... Estava sujo de algo escuro, como se fosse cinza... As roupas rasgadas e queimadas... Estava inconsciente.
Levaram-no pra dentro e fecharam a porta.

Ficamos por ali um tempo e ouvimos algumas enfermeiras dizer que sua casa tinha sido incendiada... Bem mais tarde, com tudo mais calmo, voltei - dessa vez sozinha - até a enfermaria. A porta estava aberta e tinha algumas crianças lá dentro. Cheguei próximo à cama que ele estava... Estava inconsciente ainda, mas suas feridas já haviam sido tratadas...
Fiquei parada olhando pra ele... quando menos esperei ele abriu os olhos e começou a se debater... Ele estava assustado... Fomos colocados pra fora por Élis... fiquei frustrada com aquilo, queria muito saber o que tinha acontecido com aquele garoto...
Resolvi me retirar e deitar...

...

Naquela manhã, enquanto tomava café, ouvi algumas histórias sobre ele... O que se falava entre todos é que ele teria ateado fogo na casa para matar seus pais... Achei absurdo aquilo...
_ Como pode um garoto tentar matar os pais? Será que ele fez mesmo aquilo? - aquela pergunta não saia de minha cabeça...

Ficamos aguardando alguém nos informar sobre ele... Mas ninguém falava nada a respeito... Chegamos a ouvir que um dos Sacerdotes o havia visitado na enfermaria, mas nunca soube se era verdade...
Aquele dia passou sem grandes acontecimentos...
Apesar de estar indisposta ainda, tive vontade de ir até a caverna, mas não consegui... Fiquei por ali mesmo fazendo nada como todos os outros... Cada vez mais estava distante de meus amigos, estava me sentindo só e precisando falar com alguém o que aconteceu comigo, mas tinha medo de meus amigos rirem de mim, afinal Thaís disse não ter visto ninguém no quarto além de nós duas...
Ficava me perguntando se estava enlouquecendo... Precisava mais do que nunca contar pra alguém, mas quem?

Sentada ali comecei a relembrar alguns fatos engraçados...


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Certa vez estávamos no quarto dos meninos conversando com Tite e Gustavo entrou... Estava com minhas roupas... Veio todo enfeitado se jogando pra cima de nós... Ficou beijando o rosto do Tite... Choramos de tanto rir com aquela situação...
Gustavo era o palhaço da turma, fazia isso para nos fazer esquecer a tristeza que era aquele lugar... Várias cenas como essa se repetiram...

Uma outra engraçada foi quando ele se pendurou em uma árvore e ficou imitando um macaco... A parte engraçada foi quando ele caiu de lá...
 


=> Tite já era diferente. Era mais sério. Tinha a hora de brincar, mas a maior parte do tempo era sério. Era muito inteligente... Sempre que tínhamos dúvida sobre algo, corríamos pra ele...
Às vezes até abusava da boa vontade dele...
Mas sobre Ebert não sabíamos praticamente nada... Ele não falava nada a respeito do seu passado...



=> Thaís era a amiga, pra todas as horas... Considerávamos ela uma mãezinha... Sempre preocupada com a gente... Eu passava horas e horas conversando com ela... Ela estava sempre preparada pra nos oferecer colo quando estávamos tristes... Adorava fazer graça também... Sempre querendo nos fazer rir...

Comecei a sentir meu rosto molhado... Não segurei as lágrimas... Sentia eles tão distantes mesmo estando tão próximos... Passei horas relembrando esses momentos... Não vi o tempo passar... Dava risada sozinha... Às vezes tinha a impressão que eles estavam junto de mim...

...

Enquanto o tempo passava e eu relembrava momentos, ouvia algumas crianças que passando de vez em quando em minha frente dizerem que o 'tal' garoto teria acordado e tentado sair, mas por causa de seus ferimentos, teria desmaiado...






4 de maio de 2009

7 - Sonhos verdadeiros...


Assim que chegamos ao Orfanato, senti algo estranho no ar. Alguma coisa parecia diferente... O Orfanato parecia diferente... Não sei o que era, nem porque estava me sentindo daquele jeito, fato é que, sentia.
Entramos e fomos direto ao refeitório. Não dissemos uma palavra durante o café... Os meninos ainda aparentavam estar muito assustados, Thaís um pouco menos...
Eu estava inquieta por dentro. Sentia como se todos ao meu redor estivessem me encarando... Me senti um monstro ali, não sabia o que estava acontecendo comigo... Nunca tinha me sentido assim...
A única coisa que eu sabia, é que aquele sonho tinha mexido comigo de alguma forma!
Logo me retirei da mesa, não me sentia bem. Meu corpo não estava legal... Eu não estava legal...


- Não vai terminar seu café Sel? - perguntou Thaís...
_ Estou sem apetite...



Enquanto me distanciava da mesa, percebi que ficaram a me olhar...
Fui até o quarto, peguei uma peça de roupa e decidi me banhar... Talvez com um bom banho aquela sensação passasse.
Enquanto a água escorria pelo meu rosto fui relembrando o 'sonho'... minha conversa com ele... aquele lugar...
Fiquei ali por um tempo, sem pressa, afinal era sábado e não tinha deveres a cumprir...
Terminei o banho, mas a sensação não passou, pelo contrário, ficava cada vez mais forte... Era algo como solidão e angústia, não conseguia decifrar direito o que eu estava sentindo...
Me sentia sozinha... Minha vontade era conversar com meus amigos sobre o que aconteceu, mas tinha medo do que pensariam a respeito, e o clima também não estava muito bom pros' meninos...
Resolvi ir até o pátio. Fiquei sentada ali no chão olhando as outras crianças brincarem... O dia estava até agradável, fazia pouco sol... Todos estavam aproveitando...
Notei que do outro lado do pátio estavam sentadas num banquinho a Madre Superiora e a Enfermeira Élis... Ela estava a me olhar enquanto conversava. Passei a olha-lá também... Não sabia se o seu olhar era de fúria por saber o que aconteceu ou se era outra coisa...
Ela então se levantou e seguiu em minha direção... Fiquei a observa-la ainda mais enquanto se aproximava de mim. Parou em minha frente:


- Você está bem minha filha?


Aquelas palavras me inundaram. Foi uma coisa tão confortante... Me senti bem naquele momento...

_ Sim Madre...
- Por que está quietinha aqui? Seus amigos, onde estão?
_ Não sei onde eles estão... Eu só estava com vontade de ficar só...
- Que conversar? Falar sobre o que a aflige?
_ Não... Tá' tudo bem...


Sem pensar duas vezes, me atirei sobre ela... Abracei-a o mais forte que pude... Sentia meus olhos ardendo... Estava a chorar... Ela retribuiu o abraço...

- Tem certeza que não quer conversar?...


Apesar de querer conversar sim com alguém, contar o que tinha acontecido, disse a ela que não e ela se retirou...
Fiquei um bom tempo refletindo sobre o que eu tinha feito... Passei a me perguntar:

- Porque ela veio falar comigo e não disse nada sobre ontem? Será que ela ainda não sabe de nada? Porque ela permitiu que eu a abraçasse? Porque eu a abracei?
Continuei sentada ali até a hora do almoço...
No refeitório sentei-me ao lado de Ebert:


- Tá' tudo bem? Você tá' muda desde cedo? Nem ficou com a gente...
_ Tá' sim Tite, - era assim que eu o chamava - só acho que eu comi algo que não me fez muito bem...
- Hum... Mas você não acha melhor ir à Enfermaria então?
_ Não, acho que não tem necessidade...
- Tá... Mas se piorar você vai tá'?
_ Pode deixar...


E dei um leve sorriso... Logo os outros se sentaram junto a nós...

- A Madre falou alguma coisa com você Sel? Nós vimos vocês duas no Pátio... - perguntou Thaís...
_ Ah, não falou não... Ela só perguntou se tava' tudo bem, se a gente tinha brigado ou algo do tipo...
- Porque ela pensou que a gente brigou?
_ É que a gente não se desgruda' e eu tava' sozinha... Então ela logo pensou que nós tivéssemos brigado...
- Ah, tá'!!
_ E com vocês? Ela disse algo?
- Não... Ainda não...


Gustavo foi o único que não falou nada... Estava pensativo...
Ebert continuou:


- Vocês acham que ela vai fazer o que com a gente?
_ Não sei... O que você acha Sel?
- Vocês duas não precisam ter medo... Afinal ele só viu o Ebert e eu...
_ Ta', eu sei disso... Mas eu e a Sel estamos junto com vocês nessa né?!...
- Eu sei que estamos Thaís, mas vocês não precisam entrar no meio... Deixa só comigo e com Ebert...
_ Claro que não né' Gu... Sempre estivemos juntos e não vai ser agora que vamo' pular do barco...



Eu resolvi interromper:


_ Não se preocupem... Não vai acontecer nada com ninguém...

Todos ficaram me olhando sem entender porque eu disse aquilo...

- Mas como assim Sel? Como você sabe que não vai acontecer nada? Alguém disse alguma coisa então? - perguntou Thaís...
_ Não, ninguém falou comigo não... Mas eu sei que nada vai acontecer...



Não falaram mais nada, apenas ficaram a me olhar de 'canto-de-olho'... A bem da verdade é que eu resolvi dar crédito a meus instintos... Talvez aquele rapaz estivesse certo... Não sei, mas resolvi acreditar que sim...
Terminei meu almoço e sai da mesa... Fiquei sentada no corredor por alguns minutos...
Resolvi me deitar um pouco... Logo peguei no sono...


...

Acordei assustada... Estava suando frio e algumas lágrimas deslizavam no meu rosto... Thaís me abraço forte...:

- Calma Sel... Eu tô' aqui com você...


Não conseguia me lembrar com o que eu estava sonhando... Mas não era coisa boa...

- Calma tá'... Foi só um sonho...


Por trás de Thaís percebi uma sombra, que foi tomando forma... Mas de onde ele saiu?!... Não vi ninguém entrando no quarto... - pensava comigo...
Me olhando perguntou se eu estava bem... Respondi que sim... Ele apenas sorriu e saiu em direção à porta... Antes mesmo de chegar até a mesma ele desapareceu...
Já não ouvia mais o que Thaís falava comigo... Senti uma felicidade tão grande naquele momento...
Estava perdida em meus pensamentos... Quem era ele?... Aos poucos fui me lembrando de seu rosto...


- Com que você estava falando?

A voz de Thaís me trouxe de volta...

_ Como assim?! Estava falando com aquele rapaz que estava aqui...
- Não tinha ninguém aqui Sel...
_ Claro que tinha... estava atrás de você...
- Eu devo não tê-lo percebido...



Thaís deixou por menos... Ela não deve ter visto... Saiu do quarto para buscar um copo d'água pra mim me deixando com meus pensamentos novamente...
Sim... Tinha certeza agora... Não tinha sido um sonho o que aconteceu na noite anterior...
Foi tudo real e 'D' acabara de me visitar...