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25 de agosto de 2009

10 - Verdades e Surpresas...


Pela manhã, logo após o café, fui conversar com Élis, não estava me sentindo nada bem...

_ Com licença Élis, posso entrar?
- Claro minha filha... Tudo bem Sel, você está pálida?
_ Na verdade não, me sinto um pouco estranha há alguns dias...
- Sente-se aqui... ...
Está se alimentando bem?
_ Na verdade não...
Estou sem apetite de uns 2 dias pra cá...
- Isso não é desculpa pra não comer... Desse jeito vai adoecer...


...

Conversei um pouco com ela depois que ela me medicou...
Fui até o pátio encontrar com os outros.


_ Oi gente...
- Bom dia Sel...
_ Bom dia Gu...
- Ainda ta' se sentindo mal?...
Você tá pálida...
_ Ah, estou melhor, a Irmã Élis ja me medicou...
- Menos mal...


Ficamos sentados ali aproveitando que a chuva tinha dado uma trégua e o dia estava agradável...

_ E o garoto novo? Já se enturmou com a alguém? - perguntei.
- Acho que não... Ele estava sozinho lá no refeitório... Sempre que alguém passava perto ele se encolhia todo, parecia até um bicho acuado... - disse Ebert.
_ Não é pra menos também ?! Acordar num lugar assim sem saber o que aconteceu ou quem é deve ser terrível...
- Vou ter que concordar com você Sel. Se pra gente já é difícil, imagina pra ele que não se lembra de nada... - completou Thaís...



Mudamos de assunto... Ficamos ali até a hora do almoço...
Depois do almoço fomos pra aula... Ficamos a tarde toda com a irmã Dulce aprendendo a cultivar...
Ela aproveitou o bom tempo e nos levou para a plantação para nos ensinar melhor...
Ao final de sua aula, sai para o pátio para esperar os outros...
Vi alguém de relance passando pelo portão e fui atrás... Para minha surpresa era um rosto familiar.



_ Oi 'D'... O que faz aqui?
- Oi Sel... Estava te esperando...
_ Me esperando? Mas pra que?
- Agora não é uma boa hora pra falar...
Te espero amanhã depois da aula no velho Carvalho...
_ Aconteceu alguma coisa?
- Tenho que ir...



Me deu um beijo no rosto e saiu apressado... Fiquei parada sem reação. Ele estava tão estranho, nervoso... Fiquei tentando imaginar o que teria acontecido e porque ele queria falar comigo... - O que será que ele quer comigo? Porque ele estava tão nervoso?...
Fiquei um bom tempo pensando naquilo... Quase não dormi à noite...


...


_ Bom dia Gu!
- Bom dia Sel! Está se sentindo melhor hoje?
_ Estou sim, obrigada... E os outros onde estão?
- Bom, o Ebert ainda não tinha levantado e a Thaís estava conversando com a Jeniffer quando eu 'tava vindo pra cá...
_ Hum...



Nós sentamos para tomar café, e não demorou muito até os outros se juntarem a nós... Enquanto comia uma maça, vi que do outro lado do refeitório estava o garoto novo sentado sozinho em uma mesa...
Me levantei e fui até ele... Os outros foram atrás de mim...
Ficamos parados na frente dele por alguns minutos sem que ele percebesse que estávamos ali... Debrucei-me sobre a mesa para olhar em seu rosto...
Quando se deu conta, levou um tremendo susto que deu um pulo na cadeira...


_ Oi garoto, você tá bem? Porque tá tão pálido?



Ficou me olhando com cara de assustado...


- Si... sim estou... O que você... vocês... - falou entre respiração profunda.



E fiquei ali esperando ele terminar a resposta, mas ele nada disse...


_Qual seu nome garoto?



Élis entrou no refeitório e o chamou...
Ele levantou meio sem jeito e derrubando algumas coisas e foi a seu encontro... No meio do caminho ele olhou pra trás e disse:



- Adam!


Voltamos pra mesa pra terminar nosso café e Gustavo logo atacou:

- Coitado Sel... Você deu o maior susto no garoto... - e sorriu.
_ Não foi minha culpa... Ele que estava distraído e não me viu parada ali na frente dele a um tempão... - e sorri de volta...
_ Bom, pelo menos agora sabemos que o nome dele é Adam... - disse Gu.
- Esse Adam é meio sem jeito ne?! - cutucou Thaís...
- Não acho não... Qualquer um se assustaria ao se deparar com a Sel te encarando... - completou Ebert...
_ Engraçadinhos vocês... - respondi sorrindo..
.




E demos boas gargalhadas... Terminamos o café e fomos pra sala...
Irmã Telvina daria uma avaliação de história naquela manhã...
Estava nervosa pensando em 'D' e não consegui me concentrar muito na avaliação dela...

No fim da aula sai correndo da sala para o pátio, e dali para o velho Carvalho no meio da mata...
Fiquei sentada esperando 'D'... A chuva tinha voltado a cair e eu estava com frio e muito molhada já... E 'D' nada de aparecer... Depois de muitas horas esperando resolvi voltar pro' Orfanato.
Quando me levantei dei de cara com 'D'. Ele estava estranho... Tinha expressão de cansaço e estava machucado... Quase desabou em cima de mim... O apoiei em meu ombro e o ajudei a se sentar ali no chão mesmo...
Tirei um lenço do bolso do casaco e dei para ele limpar o rosto...



_ O que aconteceu com você 'D'? Onde estava? Quem te machucou?...


Ele permaneceu mudo à minha frente...

_ 'D' fala comigo... Diz alguma coisa...
- Eu bem Sel... Desculpa a demora...
_ O que aconteceu com você?
- Não foi nada, só um arranhão... Tá' tudo bem, não se preocupe.
_ Me preocupo sim... Olha só seu estado... E isso não é só um arranhão não senhor... Agora diz o que aconteceu com você...


'D' mudou de assunto...

- Sel preciso que você tome muito cuidado nos próximos dias entendeu?!
_ Tomar cuidado? Por quê? O que ta acontecendo?
- Não posso te proteger como gostaria... Tenho que...

...

_ Como assim 'D'? O que ta acontecendo? Porque você ta falando isso?
- Não dá pra explicar agora... Só posso dizer que...

...

_ Porque 'D'? Porque não disse isso antes?
- Você não acreditaria se eu dissesse. Primeiro tinha que...

...

_ Você mentiu pra mim... E-U CONFIEI em você... E você faz isso...
- Não tive escolha Sel, tive que fazer, não podia dizer que...

...
Eu não deveria ter dito nada agora também... Eu...

...

_Eu confiei em você...
- E eu em você Sel... Estou confiando minha existência a você nesse exato momento... O que você queria que eu fizesse heim?!

...
Será que você não entende que não tinha outro modo... Alguém tinha de fazer...

_ Mas por quê?
- Porque você...

...

_ Caramba 'D', como quer que eu me sinta depois disso?...
- Só quero que você entenda o por que...
_ Eu entendo... Mais aceitar não é tão fácil quanto parece. Você vem e joga tudo em cima de mim, assim, de repente, e quer que eu sustente? Me diz como eu vou sustentar isso? Não dá 'D'... Não dá...

...

- Sel, por favor, entenda que...
Eu não queria Sel. Não queria. Tive que... Fui obrigado... Não é fácil pra mim também, mesmo eu sendo...

...

Depois de um tempo calados e sem nos olharmos diretamente, 'D' quebrou o silêncio...


- Não vai dizer nada?
_ Não tenho o que dizer...
...
Quer dizer, tenho sim... Me mostra...
- Mostrar o que?
_ ...! Eu quero ver!
- Isso não dá Sel... Não posso fazer isso!
_ Mas eu tenho direito. Você acabou de quebrar "algumas" regras não é?! Uma a mais não vai fazer diferença...

...


...

Não conseguia acreditar o que ouvi de 'D'... Me sentia traída, usada...
_Como ele pôde fazer isso comigo?
Voltei correndo pro' Orfanato... Não sabia se eram as lágrimas ou a chuva que molhava meu rosto... Peguei um pano que estava em cima da cama no quarto, coloquei algumas coisas no pano, fiz um embrulho e voltei pra pátio...
Não conseguia pensar em nada mais a não ser em 'D'... - Porque ele fez isso comigo? Eu confiei nele...

Andei sem rumo pela mata... Cheguei às margens do rio e tirei o velho barquinho cheio de água do meio do mato... Comecei a remar sem perceber pra onde estava indo...

A chuva tinha recomeçado com mais força quando cheguei naquela pedra que parecia tão grande quanto da primeira vez que a vi...
Sem pensar comecei a subir... Estava muito escorregadia, mas só me dei conta disso quando já estava na metade...
Sentia meus pés deslizando a cada passo que dava. De repente, não sei como aconteceu... Um raio e...
Dei um grito e quando me dei conta aquele galho estava atravessado em minha perna e eu estava presa no meio das rochas... Por mais que eu tentasse não conseguia sair dali...
Comecei a me preocupar...



_Droga... Não falei com ninguém que estava saindo... Droga... Que eu vou fazer agora?!...


Em meio a uma tempestade que caia e a escuridão que se formou de repente ouvi um barulho que julguei ser alguém se aproximando...


_ Me ajude... - Foi a única coisa que consegui dizer em meio a dor que estava sentindo...


Pra minha surpresa era realmente alguém que logo me respondeu...


- Continue falando... Está muito escuro...



Não sabia de quem era a voz, mas sabia que era minha salvação...



_ Estou aqui...



Ele então se aproximou de mim... Era o garoto novo... Por um instante tentei imaginar como ele chegara ali...



- O que houve com você?

_ Não sei direito, eu escorreguei e cai aqui... Minha perna ta presa e tem um galho que entrou nela... Caramba como dói... Me tira daqui por favor...

- Calma... Aguenta firme...



Ele rasgou um pedaço da camisa e amarrou em cima do buraco que o galho tinha feito em minha perna...



- Aguente firme... Vai doer...



Soltei um grito de dor... Depois que minha perna se soltou ele consegui me levantar dali...



_ Meus livros... Pegue-os, por favor... Não posso perdê-los...

- Tudo bem, eles estão aqui...



A chuva só aumentava e começou a ficar mais escorregadio... ele começou a olhar pra baixo quando eu disse:



_ Me ajuda a subir... Só mais um pouco... Tem uma caverna la em cima...



Me apoiei nele e subimos... Ele me ajudou a deitar no chão assim que entramos na caverna...



- Vou buscar ajuda, não vou conseguir tirar você daqui sozinho nessa chuva...

_ Não, espera... Não me deixa sozinha aqui...

- Pegue, fique com esse medalhão, era de minha mãe... - e tirou do pescoço e me deu...



Fiquei sem reação com aquela cena... Só conseguia apertá-lo forte como se fosse a última coisa do mundo...

Ele pegou algumas cobertas e me cobriu...



_ Você também está ferido...

- Não é nada, são só arranhões...



Acho que ele nem tinha se dado conta que tinha alguns cortes nos braços e pernas...

Virou as costas e saiu da caverna...



_ Vai pela floresta... Não use os barcos...



Foi tudo que consegui dizer antes que ele desaparecesse pela entrada...




...




Estava cada vez me sentindo mais tonta... Meu corpo estava mais gelado que o normal... Meus olhos teimavam em fechar sozinhos...



- Sel!



Abri os olhos e ele estava ali...



_ Vai embora, não quero falar com você...

- Não faz assim Sel... Deixa eu te ajudar... Você já perdeu muito sangue com esse ferimento...



Tudo a minha volta começou a rodar... Me senti enjoada... Mas não queria dar o 'braço a torcer'...



_ Não preciso da sua ajuda...



Ele se aproximou de mim, sentou do meu lado e segurou minha mão...



- Deixa disso Sel... Não faz assim...

_ Já disse que não preciso da sua ajuda...

- Por favor?



Já não conseguia pensar direito... Acabei aceitando a ajuda dele...

Ele então se ajoelhou e pôs as mãos sobre minha perna...

Desmaiei...



...



Acordei ainda meio tonta com os outros se aproximando de mim... Mas ele já não estava ali...



- Sel você está bem? - perguntou Gu

_ Ah, sim... Estou...

- Nós estávamos preocupados com você... Depois que terminou a aula você sumiu e ninguém mais te viu, então resolvemos sair atrás de você... E encontramos o Adan no meio do caminho e dai ele disse o que aconteceu...


Olhei para o lado e Adam estava me encarando com cara de espanto...



- Quem estava aqui com você? - perguntou ele.



Levei um choque quando ele me perguntou isso... - Mas como? Como ele sabia que tinha mais alguém aqui...

Todos olharam pra ele sem entender nada...

Acabei respondendo sem me dar conta...



_ "D"!!!



Vi a expressão de desentendimento em seu rosto quando respondi...

Ele saiu e se sentou do lado de fora enquanto os outros perguntavam sem parar como tudo tinha acontecido... Ou se eu estava me sentindo bem...

Só nesse momento me dei conta de que nos últimos dias tinha me comportado como uma idiota me afastando deles...

Eles eram meus amigos, e o mais próximo de uma família que eu tinha...

Nunca deveria ter me afastado... Se não tivesse agido da maneira que agi talvez tivesse evitado tudo aquilo...



2 comentários:

  1. Parabéns por sua capacidade de dar forma a sentimentos por meio do contorno das letras, por encontrar um meio de canalizar diminutas particulas suspensas, e dispersas, no ar e enche-las de vida... abrigado por me acompanhar neste 'Caminho.

    Bjs

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  2. Parabéns...
    Muito boa a história.

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