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1 de junho de 2011

13 - Tempo - parte 3 - Ocaso.



_ Mãe! É você mesmo?!

A abraçava o mais forte que eu conseguia. Não queria soltá-la nunca mais...
Depois de algum tempo abraçadas, nós nos separamos. Ela me olhou sorrindo e exugou algumas lágrimas em meu rosto.


_ Por que você tá' aqui? Por que não veio antes? Onde nós estamos? - fazia pergunta em cima de pergunta...
- Calma filha, calma! - sorria pra mim.


Ficamos caladas por um tempo apenas nos observando. Eu não conseguia acreditar no que estava acontecedo. Não conseguia acreditar que minha Mãe estava parada ali, na minha frente.


- Você está mais calma?

Fiz um sinal positivo com a cabeça.


- Você não lembra deste lugar Sel?
_ Não... Que lugar é esse?
-Tente reavivar sua memória... Você já esteve aqui antes.
_ Eu... já... estive aqui?!
- Sim... Pense um pouco...


Abaixei a cabeça por um instante tentando me lembrar... De repente, num estalo, uma imagem passou em minha cabeça. A mesma imagem que, momentos antes, me fez lembrar de tudo.

_ 'D'!

Ela sorriu e assentiu com a cabeça.


_ Eu estive aqui com 'D' não é?!

Ao dizer isso, lembrei-me dele.
Levantei-me num salto e com um movimento involuntário de cabeça, comecei a olhar ao redor procurando por ele.


_ O que foi filha? O que está procurando?

Parei e me virei pra ela. Abaixei a cabeça e uma enorme tristeza me invadiu. Apenas balancei a cabeça negativamente, como se disesse que não é nada.


- É ele não é?! Está procurando por 'D' certo?!

Olhei-a... Seu olhar era compreensivo.


- Se lembrou que o encontrou aqui e pensou se por um acaso, ele não estaria por ai em algum lugar...

Ao dizer isso abaixamos a cabeça e ela soriu...


- Ele está aqui! - disse ela com uma voz um pouco exitante.
_ O que? Como assim? 'D' ta aqui? - perguntei deixando a euforia me contagiar.
- Sim, ele está!
_ Onde? Posso vê-lo?


Fiquei esperando por um tempo sua resposta... Ela apenas me olhava... Eu já estava num estado buliçoso...

- Você gosta dele não é?! - perguntou de súbito.
_ Sim! - disse sinceramente.


Ela sorriu e me observou um pouco mais antes de continuar.

- Ele também quer ver você, mas temo que tenhamos dificuldade para fazer tal coisa.
_ Porque?
- Você sabe que ele recebia ordens para estar a seu lado certo?!
_ Sim. - respondi meio confusa
- Então sabe que a mesma pessoa que ordenou isso também o proibiu de se aproximar de você?!
_ Sim, eu sei. - disse me sentindo triste.
- Mesmo que 'D' esteja aqui e você também, existe algo que imposibilita a aproximação dele... Uma barreira... Uma barreira criada por causa dessa ordem.
_ Como assim?
- Ele não pode se aproximar de você mesmo que esse seja o desejo dos dois...
Quando ordenaram a ele pra se afastar, uma barreira foi lançada pra que tal ordem fosse cumprida. - seguiu-se silêncio...

Não depende só da vontade de vocês dois...
Não é impossivel quebrar essa barreira... Mas o fato dela existir, torna as coisas um pouco mais complicadas... Entende?
_ Sim... - disse e abaixei a cabeça. ...
- Sei o que ele representa pra você. Você o considera mais que a mim.
_ Não é isso... - Levantei a cabeça me fazendo encará-la, tentei interrompê-la...
- É sim Sel. E você sabe que é.


Fiquei muda... Apenas abaixei a cabeça me sentindo um pouco envergonhada.
Tanto ela quanto eu sabíamos que aquilo era verdade.


- Eu entendo filha, não se preocupe. Não estou chateada com isso.
'D' esteve presente na sua vida de uma maneira e por um tempo que eu jamais estive. É natural que isso aconteça.
Eu sei que seu amor por mim é verdadeiro, mas não vou ser insipiente a ponto de medir o que você sente por cada um. - sorriu amistosamente.



Sem que eu pudesse reagir, ela se levantou, segurou minha mão e me puxou para um abraço.

- Me desculpe filha! - disse ela baixinho em meu ouvido.
Me desculpe por tudo! Por todos estes anos de tristeza, decepção, solidão...
Me desculpe por nunca ter estado presente nos seus momentos importantes... Nos momentos felizes em que você queria compartilhar uma experiência... Nos momentos tristes que você precisava de alguém a seu lado pra dizer que tudo ficaria bem.
Me desculpe por nunca ter estado presente em sua vida pra ver o quanto cresceu e se tormou inteligente... esperta... Pra conhecer seus amigos... Pra tirar suas dúvidas... Pra compartilhar uma descoberta... Pra te por na cama e te dar um beijo de boa noite...
Me desculpe por toda dor que te causei todos esses anos... Me desculpe por ter te abandonado!


Ao dizer isso, a única reação que tive foi apertar meu corpo contra o dela no mais forte abraço que eu poderia dar em alguém, para que ela soubesse que estava tudo bem.
Para que ela soubesse que eu não via problema no fato de que ela não conhecia meus amigos, ou que nunca tinha me contado uma história sentada ao lado de minha cama, ou por não estar lá pra me ajudar a lenvantar quando eu caia.

Para que ela soubesse que o fato de ela não ter estado presente quando eu estava me sentindo triste ou me sentindo feliz, naquele momento não importava.
A única coisa que importava realmente naquele momento, é que ela estava ali comigo.
Que finalmente eu podia abraçá-la... Sentir seu cheiro... O calor do seu abraço...


_ Eu Te Amo Mãe!

Foi tudo o que ela precisou ouvir para deixar-se levar pela emoção.

Após muitos minutos ali abraçadas fortemente, ela se sentou na areia. Me sentei a seu lado e dei-lhe um sorriso enquanto secava suas lágrimas...

Em seguida, apenas deixei que meu coração me guiasse... Deitei em seu colo...

Pude sentir a tensão que percorreu seu corpo... Ela não esperava que eu tomasse tal atitude... Mas aceitou...

Passou a mão de leve em meus cabelos e começou a acariciar... Fechei os olhos e relaxei... Fique apenas aproveitando a sensação boa que aquilo trazia...


_ Por que foi embora?

Foi uma pergunta mais inesperada do que minha atitude de antes, e ela se surpreendeu bastante, mas não parou o que estava fazendo, apenas suspirou fundo.


- Tive um problema... Com uma certa pessoa... Logo depois que seu pai faleceu.
Eu estava sozinha... Fiquei com medo do que poderia acontecer depois... de tentarem fazer algo... com você... Por isso fui embora.
Mas eu não podia mantê-la junto a mim, afinal se me encontrassem, chegariam até você.
_ Por isso me deixou aos cuidados daquele casal?
- Sim, foi por isso.
Aquele casal já me conhecia a bastante tempo... Eles conheciam minha história... sabiam de tudo que estava acontecendo.
E sabendo o que poderia acontecer, se ofereceram pra ficar com você... Dessa maneira, mesmo que eles me encontrassem, não chegariam até você.


Ficamos em silêncio por um tempo...


- Antes de ir embora pedi a um "amigo" pra cuidar de você. Pra que seguisse seus passos e não permitisse que nada de ruim acontecesse à você.
Ele me prometeu... E cumpriu.
Conforme o tempo passava, ele te observava... Sempre te observou, onde quer que você estivesse... E dessa maneira eu podia saber como você estava.
_ A senhora pediu a alguém pra me seguir?
- Observar... Seria mais adequado.
_Quem? Quem é esse amigo?
- Esse amigo...
Esse amigo é o 'D'! - suspirou.


Meu coração saltou... Não pude deixar de me surpreender.

Me virei pra ela no mesmo momento, mas ainda deitada... Encarei sua face pálida.


_ O 'D'? Como assim? - perguntai incrédula.

Ela me sorriu levemente...


- Conheci 'D' há muito tempo... Tinha mais ou menos sua idade. Ele sempre me ajudou quando precisei.
Na verdade "conjurei" 'D' exatamente para esse fim. Mas conforme o tempo passava, as coisas mudaram...
Passamos por muita coisa juntos, e de servo, 'D' passou a ser um amigo querido.
Quando você nasceu, ele meio que se tornou seu guardião particular por vontade própria.
Criei ele da maneira que ele é hoje pra você. Pra cuidar de você.
Ele sempre esteve de vigia no meu lugar. Ele sempre me trouxe notícias suas... Me contava como você estava... Me falava o quanto tinha crescido... Dos amigos que tinha feito... Das suas descobertas... Das travessuras que aprontava junto com os outros...
Mesmo não estando perto de ti, sempre soube o que acontecia.
Ele sempre foi sua sombra...

Mas ai 'aquela' pessoa começou a desconfiar. E a frequencia com que eu me encontrava com 'D' começou a declinar. Cada vez nos viamos menos...
'Ele' estava desconfiado de quem você era. Estava desconfiado de que você era a minha filha, e nesse momento pedi a 'D' que se mostrasse. Que se apresentasse a você.
E ele faria isso sem que eu pedisse. Assim seria mais fácil proteger e guiar você.
Mesmo que 'D' ainda estivesse recebendo ordens dele.
_ Recebendo ordens dele? Dele quem?
- Recebendo ordens da mesma pessoa com quem me desentendi. - disse ela olhando fixamente para o medalhão em meu peito, que ela parecia não ter visto até agora.


Eu fiquei completamente pasma com a resposta...

_ Então 'D' trabalha pra alguém que quer te fazer mal e pra você ao mesmo tempo?
- Pode se dizer que sim. Assim ele pôde ficar perto de você...
_ Mas dessa maneira ele não tá' correndo perigo?
Quero dizer, e se essa 'tal' pessoa descobre que ele te 'ajuda'?! Ele poderia chegar até você também...
- Sim ele poderia... E sim é um risco que ele corre...
Mas entenda que isso foi uma coisa que ele escolheu fazer... E de certa forma foi isso que aconteceu.

_ Como assim?
- O fato dele ter sido afastado de você. Estão desconfiados que 'D' esteja a trabalho pra outra pessoa, e que essa outra pessoa tenha algum tipo de ligação com você.
_ E se 'ele' confirmar isso? O que vai acontecer? O que acontece com 'D'? O que acontece... com você?
- Isso eu não sei.
Só sei que agora que ele encontrou vocês, ele não vai pemirir que nada atrapalhe isso.
_ Vocês? Como assim encontrou vocês?


Ela se calou por um momento e respirou fundo. Seu rosto tinha traços de preocupação.

- É Sel... Vocês.
Você não é a única pessoa que ele quer. E sinceramente acho que ele já conseguiu encontrar o último.
_ Atrás? Último? Do que está falando Mãe? Quem está atrás? Pra que?
- É complicado filha... Isso é algo bastante complexo...
É algo grande.. Maior que sua compreensão neste momento.
_ Quem é "ele"?


Ela sorriu e se ateve ao silêncio... Após alguns minutos retomou.


-Prometo que um dia te conto tudo... Um dia... Não hoje.
_ Mas...
- Ainda não é a hora. - disse ela num tom que dava a entender que era o fim daquele assunto.
_ Tá... Tudo bem então... - tive que concordar.



Nos silênciamos... Fechei brevemente os olhos e repassei mentalmente todo aquele assunto...

_ Não vou mais poder vê-lo não é?
- Como eu disse antes vai ser um pouco compli...
_ Não é disso que eu tô falando. - disse balançando a cabeça... - Mesmo que descubra uma maneira de 'quebrar' essa barreira... Eu não vou poder vê-lo... Por que se eu fizer, alguém pode descobrir e...



Não consegui terminar a frase... Pus as mãos sobre o rosto numa tentativa inútil de conter minhas lágrimas... Ela me abraçou...

- Vai ficar tudo bem! Ele é forte e esperto...

Após alguns minutos, retomei o controle de mim.

_ Vou te ver de novo?
Enquanto sorria fez um sinal positivo com a cabeça.

- Não vou mais te deixar só...
_ Promete?
- Sim... Eu prometo... Não te abandonarei de novo...
Mesmo que demore um tempo, vou arrumar uma maneira de chegar até você de novo.


Sorrimos ao mesmo tempo...

- Agora você tem que ir.
_ Ir? Já? Não posso ficar um pouco mais?
- Sabe que não... Você já ficou tempo demais...
Tem que voltar. Logo nos veremos de novo...


Levantei-me.
Neste momento pude perceber que o dia estava chegando ao seu fim.
Olhei para o mar à minha frente e me deixer seduzir pela cena que vi.

O sol estava mergulhado no mar, quase completamente submerso, tingindo suas águas azuis num vermelho sangue... Uma cena espetácular.


- Sabe como voltar não é?!
_ Sim... Acho... que sim...


Desenrolei uma correntinha com uma pequena medalinha, que estava em meu pulso. Me aproximei dela e pus a correntinha em seu pescoço.


_ Era da Vovó... Ela me deu antes de... bem... partir?! - disse à ela...

Uma lágrima rolou em seu rosto... Novamente demos um longo e proveitoso abraço.
Dei um beijo em seu rosto e fique a observar ela se distanciar até desaparecer.

Novamente olhei aquela cena... Os últimos raios do sol...

Fechei os olhos e comecei a contar...
Como mágica, tudo foi se modificando...
O som da água... do vento... os últimos cantos dos pássaros... a sensação da areia massageando meus pés... Tudo foi desaparecendo... um após o outro... Até ficar apenas o silêncio total.
10... Abri os olhos... Estava tudo escuro... Demorei a identificar onde eu estava...
Após alguns minutos pude perceber que se tratava da enfermaria... Estava deitada em uma das camas na Ala de recuperação...
Percebi uma sombra negra ao lado da cama... Estava sentada em uma cadeira com o corpo desfalecido apoiado sobre a cama...
Segurava minha mão...
Era Thaís...
Sorri e me permiti dormir um pouco mais...






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