Gwydion, um mago, é sobrinho de Math, rei do norte do País de Gales. Para satisfazer os desejos de seu irmão Gilfaethwy, que ama a bela Goewin, ele provoca a guerra entre o reino de Math e o reino ao sul, governado por Pryderi – afinal, a jovem Goewin tinha a função real de segurar os pés do rei durante todo o tempo, salvo quando ele estivesse em batalha. Gilfaethwy se aproveita da ausência do rei para apresentar-se a Goewin mas, infelizmente para ele, todo esse ardil foi em vão: a bela Goewin não se interessa por Gilfaethwy, o qual acaba por tomá-la à força. Em paralelo, a guerra seguia seu curso, e só acaba quando Gwydion mata Pryderi em combate individual (de fato, o combate individual entre grandes guerreiros de tribos rivais é uma prática mencionada com frequência nas fontes históricas tanto da Gália quanto da Irlanda, o que nos permite afirmar ser esta uma prática bastante comum entre os celtas). Para salvar a honra de Goewin, Math casa-se com ela e lança sobre os irmãos Gwydion e Gilfaethwy um encantamento que os transforma sucessivamente em casais de gamos, porcos e lobos que, a cada período, se acasalam e geram filhotes. Após os três anos de encantamento, Gwydion e Gilfaethwy voltam às formas humanas e retornam à corte de Math. Gwydion então sugere que sua irmã Arianhrod substitua Goewin como a virgem que segura os pés do rei. Arianhrod é submetida a um curioso (e rico em simbolismo) teste de virgindade que desmente a virgindade da donzela: com efeito, Arianhrod dá à luz dois filhos: Dylan – o mar – e um outro garoto.Contra a vontade da mãe, este é criado por seu tio Gwydion; Arianhrod amaldiçoa aquele filho indesejável dizendo que ele jamais receberia um nome, nunca seria armado cavaleiro nem jamais teria uma esposa humana - a não ser que esses três dons fossem concedidos por ela própria. Graças às artimanhas de Gwydion, o garoto viria a receber um nome de sua mãe: Lleu Llaw Gyffes, “O Belo com a Mão Certeira”. Pouco tempo depois, num momento de crise, é a própria Arianrhod que lhe dá armas para defender seu palácio.
Crédito: Alma Celta