
Meu maior passatempo era ficar observando uma velha árvore.
Todos os dias pela manhã, logo após o café, eu ia para o meio da mata que cercava aquele casarão. Ficava lá por horas, esquecia o tempo. Ficava sentada num velho banquinho observando aquele enorme carvalho... Observava seus enormes galhos, já secos, quase consumidos pelo tempo... Quantos anos teria aquela árvore? A idade não sei, sei que era antiga e de algum modo chamava muito minha atenção.
Observava também os pássaros... Observava todo o cuidado que eles tinham em preparar seu ninho... Observava tudo a minha volta... o riozinho que passava ali ao lado... as grandes rochas no horizonte... Tudo ali chamava minha atenção...
Era o único lugar que me sentia em paz... que sentia paz no meu coração... algo sem explicação.
Um outro passatempo era 'pegar' alguns livros emprestados da biblioteca.
Não era permitido às crianças entrarem na Biblioteca, essa era só para os Sacerdotes... Mas a gente sempre dava um jeitinho para conseguir um ou outro livro pra passar o tempo...
Tínhamos uma espécie de esconderijo secreto, para onde íamos ler. Ficava entre as árvores no bosque... Era uma caverna natural em uma das enormes rochas... Lá toda a nossa imaginação tomava forma. Tudo que encontrávamos se tornava um objeto. Toda a caverna era iluminada com velas - que nos mesmos fabricávamos - nos lugares que a luz do sol não iluminava... tinha também algumas esculturas em galhos secos.
'Roubamos' alguns lençóis para sentarmos e copos para que pudéssemos beber água, afinal passávamos a tarde ali, lendo, brincando... Também tinha algumas frutas para nos alimentarmos. Com tantas árvores, a variedade era grande, cada dia uma diferente... Tudo era motivo de alegria quando estávamos juntos...
Sempre estávamos juntos!!
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