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28 de abril de 2009

6 - De volta...


Já estava caminhando ali a um bom tempo, mas tinha a impressão de não sair do lugar... Observava tudo ao meu redor: os pássaros cantando, o vento tocando meu rosto, o barulho da água batendo nas pedras...

_ Que lugar espetacular! Mas não consigo lembrar como cheguei aqui. Onde será que estou?

Andando mais um pouco, me deparei com alguém sentado na areia ao longe, mais que depressa fui a seu encontro... Ao chegar próximo ao rapaz, percebi nele algo familiar. É como se eu já o conhecesse de algum lugar, mas de onde? Não lembro... Desacelerando o passo, fui o observando... Devia ter uns 25 anos... Tinha pele clara, cabelos parcialmente compridos e loiros, que balançavam conforme o vento os tocava, olhos azuis e um belo sorriso...

_ Com licença senhor...


Olhando pra mim e sorrindo disse:

- D...!
_ Ah... Perdão...
- Meu nome... D...
_ Ah sim... O meu é...



Antes que eu terminasse ele disse:


- Selene!
_ Sim, é isso mesmo... Como sabe meu nome?



Ele apenas sorriu. Fiquei paralisada por alguns segundos olhando pra ele, tentando me lembrar se realmente já o conhecia...

- Sente-se.

A voz dele quebrou o silêncio e ecoou dentro de minha cabeça... Decidi fazer o que tinha dito. Sentei-me a seu lado...

_ Onde é aqui? Quero dizer, onde estou? Como cheguei aqui?
- Não se lembra?


Fiz um sinal negativo com a cabeça...
Ficamos a nos olhar por um instante... Não conseguia desviar meus olhos dele...


- Esse lugar é sua casa, seu refúgio...

Continuei calada...
Ele prosseguiu:


- Às vezes precisamos 'retornar' para ficar em paz!

Aquelas palavras me inundaram... Como assim casa? O que ele quer dizer com isso? Essa não é minha casa, nem tem casa aqui...

- E então Sel, o que quer comigo?
_ E... eu? Como assim?
- Sim, você... Você me chamou aqui...
_ Chamei? Não lembro... - comecei a ficar assustada...
Qual é mesmo seu nome?
- 'D'! Chame-me apenas de 'D'!


Desviei meu olhar do dele levando-o para o mar... Nunca tinha visto nada tão belo, aquilo é simplesmente indescritível...
Minha cabeça dava voltas e voltas... Me esforçava para encontrar ao menos um fiozinho de lembrança que me explicasse o que acontecia... Mas em vão... Nada...


- Não se esforce você só vai lembrar quando tiver que lembrar...


Ainda sem voltar meus olhos pra ele perguntei:

_Eu vou voltar? Digo, pros' meus amigos? Pro Orfanato? - voltei meus olhos pra ele...


Ele sorriu e deu um sinal positivo com a cabeça...

- E não se preocupe quando voltar, nada vai acontecer a vocês!! Não precisa ter medo...
_ Do que está falando?
- Zavebe... Não precisa temer ele... Ele não lhe fará mal, nem a seus amigos...
_ Como sabe o que aconteceu?



Ele apenas sorriu. Deixei por menos, não insisti...


_ Você mora aqui 'D'?
- Sim, moro.
_Mas não tem nada aqui...
- Não tem porque você ainda não está pronta pra ver... Por isso não se lembra de nada...
... Bom, agora tenho que ir...
_ Ir? Pra onde? Eu posso ir com você? Não quero ficar sozinha...
- Feche os olhos Sel e conte até 10...
_ Mas pra que? O que vai acontecer? O que vai fazer?
- Confie em mim...


Fiz como ele havia dito. Fechei os olhos e comecei a contar... Enquanto contava, um vento frio começou a tomar conta do lugar...
10... Abri os olhos... Um clarão atrapalhou minha visão por uns' segundos... Tive uma grande surpresa...
Estava deitada na caverna... Meus amigos ao meu redor...
O sol já começava a iluminar todo o local...
Levantei e fiquei a observar tudo por um tempo... O que foi que aconteceu? Será que foi um sonho? Mas pareceu tão real - pensava comigo mesmo...
Decidi acordar os outros, afinal tínhamos que voltar e enfrentar o que tinha acontecido na noite anterior...






24 de abril de 2009

5 - Santuário




Assim que sai do banheiro, dei de cara com os 3 à minha espera, para irmos onde os livros estavam...
Fomos mais que depressa... Ficamos lá o resto do dia, esquecemos completamente a hora. Lemos e lemos... Quando nos demos conta do horário, o sol já estava a se pôr... Saímos correndo - deixando tudo bagunçado - pois já estava quase na hora do jantar, e ainda nem tínhamos almoçado... Ao chegar ao Orfanato, fomos direto pro banho...
No refeitório combinamos que mais tarde, assim que todos tivessem dormido iríamos nos encontrar na caverna para podermos devolver os livros à biblioteca. E assim fizemos...
Thaís e eu chegamos primeiro. Enquanto os outros não chegavam, aproveitamos pra arrumar a bagunça que tínhamos deixado mais cedo... Colocamos tudo no lugar e separamos os livros que devolveríamos... Claro que deixaríamos alguns, para termos o que ler durante o fim de semana...
Ficamos observando de cima até que eles aparecessem... Assim que os avistamos entre as árvores, fomos ao seu encontro... Fomos caminhando até uma outra parte do rio, onde tinha uma velha jangada que usávamos para chegar ao Santuário - onde pegávamos os livros pra ler...
Assim que chegamos as margens próximo ao Santuário, fiquei com Thaís esperando, enquanto os meninos estavam indo devolver...


- "O Santuário era um local sagrado onde só os Sacerdotes podiam entrar... Mulheres eram proibidas... Das crianças, somente os meninos, e ainda sim com chamado e autorização de Zavebe, o Sacerdote superior, que era o responsável por toda aquela área, inclusive o Orfanato... Raramente ele aparecia no Orfanato. Nós particularmente não o conhecíamos..." -

Não demorou muito até que os meninos voltassem... Mas algo tinha acontecido lá dentro.
Voltaram correndo... Estavam assustados....


_ Anda, vamo'... Vamo' sair logo daqui... - disse Gustavo.


Eles estavam pálidos e com respiração acelerada...

- O que aconteceu? - perguntei logo.


Gustavo começou:

- Entramos na biblioteca e logo colocamos tudo no lugar, mas ai, não sei de onde, ele tava' lá, na nossa frente. Olhando pra gente...
- Como assim? Quem tava' lá? - perguntou Thaís
.



Eu só conseguia escutar, fiquei muda frente à situação...
Gustavo ficou mudo também, tamanho susto.
Ebert foi quem continuou:



- Ele surgiu do nada... A gente tava' indo pra porta, pra sair, dai ele apareceu na nossa frente...
Parecia, sei lá, um fantasma... Era magro e alto, tinha pele branca e era velho e feio...
Começamos a dar passos pra trás, dai olhamos um pro outro, e quando olhamos de volta pra porta ele tinha sumido...



Achei tudo muito estranho. Quem seria esse tal 'velho'? pensei comigo...
Thaís continuou:


- Mas e ai? Que aconteceu depois?


Gustavo retomou:


- Sei lá, saímos correndo...



Ficamos parados ali no meio do rio por um tempo... Acho que uns 10 minutos, só olhando um pro outro e tentando entender aquilo...

- Su... sumiu? Como assim sumiu? - quebrei o silêncio.



Eles ficaram mudos, não sabiam o que responder...

Resolvemos voltar. Assim que chegamos em terra firme, fomos pra caverna. Achamos melhor passar a noite lá, ao invés de voltar pro Orfanato.
Estendemos as esteiras de bambu e deitamos. Não falamos mais nada, mas nossos pensamentos davam voltas em torno do ocorrido.

Rolamos muito até conseguirmos pegar no sono...





4 - Passado...




Uma bela manhã estava sentada ali junto aquela velha árvore observando os pequenos pássaros que acabara de nascer e acabei por ter alguns flashes do meu passado observando aquela cena...

... O casal de senhores que cuidara de mim sempre me contava que eu havia nascido num pequeno Vilarejo não muito longe dali, a umas 2 horas de caminhada... Meus pais, jovens camponeses, davam duro pra sustentar a recém-chegada filha... A vida não era fácil naquela época. Minha mãe trabalhava com artesanato e meu pai era agricultor... Meu pai acabara ficando doente certa época. Depois de cerca de 4 meses de cama, ele veio a falecer... Minha mãe por sua vez, sem saber o que fazer depois da morte de meu pai, acabou aceitando trabalho em outro vilarejo e me deixou em sua casa, por, segundo ela, não ter como me criar sozinha....

No momento que me lembrava dessas palavras, fui interrompida por Thaís e Ebert:

_ Estávamos a sua procura, disse Thaís.
_ A Madre Superiora quer falar com você...
 
Com a cabeça dando volta, pelo susto que haviam me dado, levantei-me e seguimos até a sala da Madre...

- Sente-se minha filha.
_ Obrigada Madre. Então, a Sra. gostaria de falar comigo? - nesse momento já sentia meu coração quase saindo pela boca...
- Sim.
- Zavebe veio falar comigo hoje. Disse que alguns livros andam sumindo da Biblioteca. Sabe alguma coisa sobre isso?
_ Livros?... Sumindo?... Não... Não sei nada a respeito não senhora...
- Tem certeza que não sabe nada sobre Sel?
_ Si... sim... Não sei nada sobre...
- Se souber não deixe de falar ok?
_ Sim senhora...
- Pode se retirar...
_ Com licença.


tremula de susto, saí da sala...
Estavam todos esperando pra saber o que acontecia lá dentro...
Gustavo veio num pulo:

- E ai, o que ela queria com você?
_ Nada de mais... Só saber se eu sabia sobre alguns livros que sumiram da Biblioteca...
- E o que você disse?
_ Que não ... O que queria que eu respondesse?!
- Mas foi só isso mesmo?
_ Aham...



Sai de perto deles para ir até o banheiro molhar um pouco o rosto... Enquanto me afastava deles, ouvi Ebert falando:

_ A gente tem que terminar logo de ler e entregar... Se a Madre pegar a gente com os livros, na certa vamos ficar no mínimo um mês de castigo...


... Dei um leve sorriso e segui em frente...