
Assim que sai do banheiro, dei de cara com os 3 à minha espera, para irmos onde os livros estavam...
Fomos mais que depressa... Ficamos lá o resto do dia, esquecemos completamente a hora. Lemos e lemos... Quando nos demos conta do horário, o sol já estava a se pôr... Saímos correndo - deixando tudo bagunçado - pois já estava quase na hora do jantar, e ainda nem tínhamos almoçado... Ao chegar ao Orfanato, fomos direto pro banho...
No refeitório combinamos que mais tarde, assim que todos tivessem dormido iríamos nos encontrar na caverna para podermos devolver os livros à biblioteca. E assim fizemos...
Thaís e eu chegamos primeiro. Enquanto os outros não chegavam, aproveitamos pra arrumar a bagunça que tínhamos deixado mais cedo... Colocamos tudo no lugar e separamos os livros que devolveríamos... Claro que deixaríamos alguns, para termos o que ler durante o fim de semana...
Ficamos observando de cima até que eles aparecessem... Assim que os avistamos entre as árvores, fomos ao seu encontro... Fomos caminhando até uma outra parte do rio, onde tinha uma velha jangada que usávamos para chegar ao Santuário - onde pegávamos os livros pra ler...
Assim que chegamos as margens próximo ao Santuário, fiquei com Thaís esperando, enquanto os meninos estavam indo devolver...
- "O Santuário era um local sagrado onde só os Sacerdotes podiam entrar... Mulheres eram proibidas... Das crianças, somente os meninos, e ainda sim com chamado e autorização de Zavebe, o Sacerdote superior, que era o responsável por toda aquela área, inclusive o Orfanato... Raramente ele aparecia no Orfanato. Nós particularmente não o conhecíamos..." -
Não demorou muito até que os meninos voltassem... Mas algo tinha acontecido lá dentro.
Voltaram correndo... Estavam assustados....
_ Anda, vamo'... Vamo' sair logo daqui... - disse Gustavo.
Eles estavam pálidos e com respiração acelerada...
- O que aconteceu? - perguntei logo.
Gustavo começou:
- Entramos na biblioteca e logo colocamos tudo no lugar, mas ai, não sei de onde, ele tava' lá, na nossa frente. Olhando pra gente...
- Como assim? Quem tava' lá? - perguntou Thaís.
Eu só conseguia escutar, fiquei muda frente à situação...
Gustavo ficou mudo também, tamanho susto.
Ebert foi quem continuou:
- Ele surgiu do nada... A gente tava' indo pra porta, pra sair, dai ele apareceu na nossa frente...
Parecia, sei lá, um fantasma... Era magro e alto, tinha pele branca e era velho e feio...
Começamos a dar passos pra trás, dai olhamos um pro outro, e quando olhamos de volta pra porta ele tinha sumido...
Achei tudo muito estranho. Quem seria esse tal 'velho'? pensei comigo...
Thaís continuou:
- Mas e ai? Que aconteceu depois?
Gustavo retomou:
- Sei lá, saímos correndo...
Ficamos parados ali no meio do rio por um tempo... Acho que uns 10 minutos, só olhando um pro outro e tentando entender aquilo...
- Su... sumiu? Como assim sumiu? - quebrei o silêncio.
Eles ficaram mudos, não sabiam o que responder...
Resolvemos voltar. Assim que chegamos em terra firme, fomos pra caverna. Achamos melhor passar a noite lá, ao invés de voltar pro Orfanato.
Estendemos as esteiras de bambu e deitamos. Não falamos mais nada, mas nossos pensamentos davam voltas em torno do ocorrido.
Rolamos muito até conseguirmos pegar no sono...
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