
Já estava caminhando ali a um bom tempo, mas tinha a impressão de não sair do lugar... Observava tudo ao meu redor: os pássaros cantando, o vento tocando meu rosto, o barulho da água batendo nas pedras...
_ Que lugar espetacular! Mas não consigo lembrar como cheguei aqui. Onde será que estou?
Andando mais um pouco, me deparei com alguém sentado na areia ao longe, mais que depressa fui a seu encontro... Ao chegar próximo ao rapaz, percebi nele algo familiar. É como se eu já o conhecesse de algum lugar, mas de onde? Não lembro... Desacelerando o passo, fui o observando... Devia ter uns 25 anos... Tinha pele clara, cabelos parcialmente compridos e loiros, que balançavam conforme o vento os tocava, olhos azuis e um belo sorriso...
_ Com licença senhor...
Olhando pra mim e sorrindo disse:
- D...!
_ Ah... Perdão...
- Meu nome... D...
_ Ah sim... O meu é...
Antes que eu terminasse ele disse:
- Selene!
_ Sim, é isso mesmo... Como sabe meu nome?
Ele apenas sorriu. Fiquei paralisada por alguns segundos olhando pra ele, tentando me lembrar se realmente já o conhecia...
- Sente-se.
A voz dele quebrou o silêncio e ecoou dentro de minha cabeça... Decidi fazer o que tinha dito. Sentei-me a seu lado...
_ Onde é aqui? Quero dizer, onde estou? Como cheguei aqui?
- Não se lembra?
Fiz um sinal negativo com a cabeça...
Ficamos a nos olhar por um instante... Não conseguia desviar meus olhos dele...
- Esse lugar é sua casa, seu refúgio...
Continuei calada...
Ele prosseguiu:
- Às vezes precisamos 'retornar' para ficar em paz!
Aquelas palavras me inundaram... Como assim casa? O que ele quer dizer com isso? Essa não é minha casa, nem tem casa aqui...
- E então Sel, o que quer comigo?
_ E... eu? Como assim?
- Sim, você... Você me chamou aqui...
_ Chamei? Não lembro... - comecei a ficar assustada...
Qual é mesmo seu nome?
- 'D'! Chame-me apenas de 'D'!
Desviei meu olhar do dele levando-o para o mar... Nunca tinha visto nada tão belo, aquilo é simplesmente indescritível...
Minha cabeça dava voltas e voltas... Me esforçava para encontrar ao menos um fiozinho de lembrança que me explicasse o que acontecia... Mas em vão... Nada...
- Não se esforce você só vai lembrar quando tiver que lembrar...
Ainda sem voltar meus olhos pra ele perguntei:
_Eu vou voltar? Digo, pros' meus amigos? Pro Orfanato? - voltei meus olhos pra ele...
Ele sorriu e deu um sinal positivo com a cabeça...
- E não se preocupe quando voltar, nada vai acontecer a vocês!! Não precisa ter medo...
_ Do que está falando?
- Zavebe... Não precisa temer ele... Ele não lhe fará mal, nem a seus amigos...
_ Como sabe o que aconteceu?
Ele apenas sorriu. Deixei por menos, não insisti...
_ Você mora aqui 'D'?
- Sim, moro.
_Mas não tem nada aqui...
- Não tem porque você ainda não está pronta pra ver... Por isso não se lembra de nada...
... Bom, agora tenho que ir...
_ Ir? Pra onde? Eu posso ir com você? Não quero ficar sozinha...
- Feche os olhos Sel e conte até 10...
_ Mas pra que? O que vai acontecer? O que vai fazer?
- Confie em mim...
Fiz como ele havia dito. Fechei os olhos e comecei a contar... Enquanto contava, um vento frio começou a tomar conta do lugar...
10... Abri os olhos... Um clarão atrapalhou minha visão por uns' segundos... Tive uma grande surpresa...
Estava deitada na caverna... Meus amigos ao meu redor...
O sol já começava a iluminar todo o local... Levantei e fiquei a observar tudo por um tempo... O que foi que aconteceu? Será que foi um sonho? Mas pareceu tão real - pensava comigo mesmo...
Decidi acordar os outros, afinal tínhamos que voltar e enfrentar o que tinha acontecido na noite anterior...
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